quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Cegueira



Tendemos a observar mais bem pouco. Quando alguém tem a má sorte de ser adjectivado, tendemos a crer a descrição, e pouco importa já se o que fai concorda com ela ou não: o lobo sempre é mau, o porco sempre vai estar sujo, e a galinha tem de ser parva. Temos poucas ganas de comprovar com a vista a informação que recebemos polo ouvido. Em certa maneira, temos uma fé infinita nas palavras, são a nossa religião, quando o único que fão é, coma toda religião, cotar o significado, os inumeráveis recunchos que tem a realidade que nos rodeia. Abramos os olhos, sejamos surdos durante um minuto, e prestemos atenção ao que vemos: ao melhor, o lobo está a dormir placidamente, o porco tem a elegância duma bailarina, e a galinha leva observando um bom rato.




"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem"
Ensaio sobre a cegueira, José Saramago, 1995

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", citado do "Livro dos conselhos", de El-Rei Dom Duarte.

terça-feira, 16 de Junho de 2009

Fundo e forma.


Sempre existe a dúvida sobre se escrever centrando os esforços no fundo, ou na forma. O primeiro é mais fácil: se sabemos do que quero falar, exprimimos uma ideia real, clara, sem cair numa descrição excessiva que a faga ficar num segundo plano. De esquecer demasiado a forma, sem embargo, a linguagem torna-se vulgar, o que é grave no momento em que a simpleza do vocabulário pode comprometer a transmissão da ideia . O segundo resulta muito mais difícil, precisa dum domínio da linguagem mui alto. A recompensa é a mesma que ao escutar uma peza de música cuma harmonia perfeita, um quadro com cores concordantes: é uma forma mais de arte, com o único fim de fazer desfrutar ao espectador. De sobre passar o limite do bom gosto, fai-se sob recargado, barroco de mais, e, o fim de evitar cair numa linguagem plana e sem emoção também se ve comprometido: a harmonia das palavras entrelaçadas, as frases cum princípio e remate perfeitos, já não o som.

As palavras servem para ambas finalidades, dependendo do caso. Uns poucos afortunados sabem quando e como empregar cada uma, e, os génios, sabem empregar ambas à vez.

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

If


If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:If you can dream–and not make dreams your master,
If you can think–and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on!”

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings–nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And-which is more-you’ll be a Man, my son!

–Rudyard Kipling

Com isto, dou a bem- vinda a quem queira passar por aquí.